segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Crônicas de Frecó: "Será um assalto?"

Bem amigos, demorei mas, enfim, postarei sobre o meu primo Frecó e uma das suas façanhas.
Era o ano de 2001 e eu estava adquirindo um carro - o primeiro, por sinal - através de financiamento do "Panamericano" - não se preocupem que receberei algum dindin do Sílvio Santos por esse merchandising. Estava feliz da vida por poder ter um carrinho para me deslocar com a família para o lazer e também para me livrar do busão nosso de cada dia...
O carro era um corsa wind roxo que pertencia ao meu amigo jornalista Flávio Resende que, nessa época, só conhecia pela mídia. Creio que foi o destino ou outra coisa espiritual que fez nossos caminhos se cruzarem. Gente boa e de grande coração!
Mas, voltemos ao assunto principal e falemos de Frecó - em outro post falarei de como conhecí o Flávio - que, igualmente a mim, estava feliz por eu ter comprado um carrinho e, assim ir visitá-lo com mais frequência. Afinal, ele morava no Planalto e eu em Capim Macio.
Como sempre ele fazia, chegava na minha casa bem à vontade de camiseta, bermuda e sandálias. De vez em quando eu reclamava para que ele não usasse essas camisetas com propagandas, pois ele tinha um estoque de várias camisas pólo, todas da "Pool" - outro merchandising que eu vou cobrar, desta vez do Flávio Rocha. E, neste dia, eu iria para o "Panamericano" me informar de quando o dinheiro iria ser depositado na conta do Flávio Resende para poder fechar o negócio. Pedí, então, para que ele vestisse uma camisa e uma calça, ambas social, minhas e um par de sapatos para que ele desse a impressão que era "rico" e tirasse aquele aspecto de "pobre" - não que tivéssemos algum preconceito de ser "pobre", mas, conhecendo o tratamento dado a um rico e a um pobre seria bom parecer rico, naquela ocasião, para agilizar o processo. Nós fazíamos isso, tirando sarro de nós mesmos, desfilando em casa como se rico fôssemos, gesticulando e falando com uma suavidade - falsa, claro - típica de quem "se acha". O problema era que para compor esse personagem faltava os sapatos. Os que eu tinha era 44 - Frecó calçava 40 - e os pés dele ficavam "sambando" dentro parecendo sapatos de palhaço! O outro par era de um sobrinho meu, de 13 anos de idade, que estava morando conosco, cujo tamanho era 38, portanto, um pouquinho menor.
Frecó preferiu este último, achava que depois de calçado ele iria "ceder" e ficar mais folgado.
Ocorre que, ao chegarmos na "cidade" - para quem não sabe, é como chamamos o centro de Natal - Frecó já começara a reclamar de calos nos pés, especificamente, nos calcanhares. Contudo, aguentou até concluirmos a nossa negociação, com ele falando bonito e cheio de pose, no "Panamericano".
Depois, seguimos para a parada de ônibus situada na Ulisses Caldas, aquela de frente ao "Camelódrómo". Frecó arquejava de dor, andando nas pontas dos pés com os calcanhares por fora dos sapatos; bolhas vermelhas despeladas pareciam querer explodir a qualquer momento!! E, aflito, pedia para ele ter paciência que quando chegássemos na parada de ônibus iríamos para casa e colocaria os pés dele em água morna e faríamos curativos.
No entanto, Frecó disse que iria para a casa dele, pois, não estava aguentando e em sua casa ficaria melhor.
Justamente quando passávamos no meio do povo que se aglomerava na "parada", Frecó falou, como de costume, alto:
- Roberto, me dê pelos menos um vale pra eu ir pra casa!
- E eu, falando baixinho: Vetinho (Frecó) fale baixo, vão pensar o quê?? Você todo arrumado, pedindo um vale?.
Mas, o pior estava por vir, Frecó já agoniado com os sapatos disse - Eu vou tirar os sapatos! vou descalço pra casa!Vou colocar os sapatos na sua bolsa!
- Vetinho, pelo amor de Deus, não faça isso! Vão pensar que estou lhe assaltando...primeiro, você me pede pelo menos um vale e depois coloca os sapatos na minha bolsa...! disse-lhe, já suando frio com essa possibilidade.
De pronto, ele tirou os sapatos e enfiou-os na minha bolsa!! Imaginem a cena: Frecó de camisa e calça social, sem sapatos e todo mundo olhando para mim. Para aumentar a minha aflição, ele resolveu tirar a calça também e colocar na minha bolsa.
Quase morrí de vergonha, sem acreditar no que ele estava fazendo: tirando as calças no meio da multidão, colocando na minha bolsa, ficando só de bermuda e camisa social, descalço...ao meu redor, todo mundo com olhar surpreso sem entender o que estava ocorrendo e eu com a "cara no chão"!
Por sorte, vinha chegando um ônibus e ele se despediu correndo para alcançá-lo, enquanto que eu permanecia na parada procurando um buraco para me esconder...

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