domingo, 11 de setembro de 2011

A banalização da morte!

Faz parte da minha atividade como Perito Criminal acessar os mais diversos locais onde se tenha cometido um crime e, apesar do tempo de experiência, ainda me pergunto como a pessoa humana pode ser capaz de tamanha crueldade com o seu semelhante, matando sem dó, sem pensar nos anos que aquela pessoa poderia ainda viver, na dor da família da vítima, nos filhos que ficarão órfãos...ou seja, sem que haja qualquer remorso ou hesitação.
Quando vejo familiares chorando a dor da perda de um familiar, mesmo que não desvie o foco da minha atuação pericial, não consigo deixar de me sensibilizar com o sofrimento alheio, apesar de, em sua maioria, ser, o familiar, uma pessoa ligada ao mundo do crime ou subproduto deste. Infelizmente, percebo que, a cada dia, a morte trágica não abala muito a sociedade, em geral, por estar de tal modo banalizada, especialmente nas áreas de maior índice de criminalidade, onde as crianças assistem, quase diariamente, ocorrerem homicídios, que isso não lhes causa pavor. Fico indignado quando pais ou mães ficam ao redor de uma cena de crime com seus filhos ao lado ou no colo, como se estivessem vendo um espetáculo!
É deprimente tal situação, quando lembro, por exemplo, de mim mesmo, quando criança - não faz muito tempo! - mudar de rua para não ver "um corpo estendido no chão"! Causava-me medo!
O que fazer então? creio que somente com investimento maciço em educação, instituindo uma política de cultura de paz nas escolas, políticas sociais amplas com incentivo ao esporte, lazer, acesso à saúde, emprego, qualificação profissional,integração da segurança pública com a população, e, principalmente, a prevenção ao uso das drogas, mesmo aquelas consideradas lícitas como o álcool.
Porque escrevo sobre esse assunto? talvez porque, eu, ao ver o sorriso dos meus filhos abraçando-me quando me vêem chegar do trabalho, eu penso naquelas crianças que não tem mais um pai ou uma mãe para abraçar! penso como deve ser duro para elas conviver com essa realidade e nada poder fazer para mudá-la, a não ser endurecer o seu pequeno coração e continuar sobrevivendo.

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